Como se tornar paleontólogo no Brasil

Por Henrique Zimmermann Tomassi

Agosto de 2014 (e com algumas alterações posteriores)


“...é que eu sempre quis ser paleontólogo, mas eu nunca soube bem por onde começar, ainda mais morando no Brasil... :( ”

Leio e ouço isso o tempo todo, de pessoas que vêm me consultar sobre como se tornar um paleontólogo no Brasil. Para a maior parte dos jovens seriamente interessados em se dedicar a esta profissão, esse trabalho é considerado um sonho.

A primeira barreira a ser rompida é aquela colocada por pessoas próximas ou por nós mesmos. Muita gente desinformada diz que escolher a paleontologia como profissão seria perda de tempo, que não daria futuro, que ciência no Brasil, é inexistente, que não há investimento em pesquisa... Paleontologia é mesmo um assunto desconhecido entre os leigos.

Uma prova disso é o encontro recente que tive com um amigo de Ensino Fundamental, depois de muitos anos sem encontra-lo. Ele me perguntou com o que eu trabalhava atualmente. “Eu estudo fósseis” foi a minha resposta. Sabendo que eu gostaria de ser paleontólogo desde a infância, exclamou: “Você virou arqueológico!”. Isso é só um exemplo que mostra como muitas pessoas não sabem o que é a paleontologia.

Poucas pessoas aspiram a paleontologia como profissão e geralmente, nas escolas, se passam por "doidos" ou “infantis” (a maior parte das pessoas acha que paleontologia é só dinossauro, logo, algo infantil). Hehehe quem passa por isso sabe do que estou falando! Eu vivi essa mesma situação. Muitas vezes a pressão por profissões mais convencionais vem de dentro de casa. Alguns pais são contra a ideia de que se siga essa carreira por considerarem-na uma "aposta".

Essa barreira psicológica, gerada pela pressão social, é a principal eliminadora de paleontólogos antes mesmo de sua formação. Supere isto. Explique às pessoas o que essa ciência estuda, qual a sua importância e demonstre que é um ramo profissional sério. Uma forma eficiente de se sentir bem a respeito de sua escolha é conversando com algum profissional que já trabalha com paleontologia. Não sabe como encontrá-los? Comece pelas redes sociais, na internet. Eles podem te mostrar com segurança quais são os caminhos. O contato com alguém da área é incrivelmente esclarecedor e te ajudará a escolher o ramo da paleontologia que mais se adequa às suas vocações.

Paleontóloga procurando fósseis no interior do Brasil.

Formação básica

Bem, a esta altura você já deve imaginar que o paleontólogo precise de uma formação especializada, um curso de graduação do Ensino Superior. Mas sua formação pode começar muito antes da sua entrada para a universidade/faculdade. A maior parte do conhecimento de paleontologia que os jovens têm vieram de livros e revistas comprados em bancas ou livrarias comuns, de apostilas e tópicos da internet, filmes de fantasia ou documentários. Tudo isso é muito básico (e geralmente tem erros), mas já é um bom começo.

Se você quer ser um paleontólogo e ainda está no Ensino Fundamental ou Médio, veja nas universidades perto de você se há vagas para assistente na coleta ou na preparação de fósseis (em laboratório). No caso da universidade, procure nos laboratórios dos cursos de Geologia e de Biologia. Muitas universidades oferecem bolsas para alunos do Ensino Médio, e eu conheço laboratórios que aceitam estagiários de Ensino Médio para trabalhar com fósseis. Outra forma de aprender e já se inserir no meio é procurar algum museu local, que tenha fósseis, para trabalhar como estagiário. Procure conhecer os fósseis que aparecem na região que você mora. Há fósseis em todas as regiões do Brasil.

Na fase final do Ensino Médio, é natural que a concorrência pelas vagas do vestibular o deixe desmotivado. Prepare-se para a prova da melhor forma que puder. Aprenda o conteúdo da prova. Se puder, faça um bom cursinho. Tente o vestibular e, se não conseguir a aprovação, tente de novo. E de novo... uma hora você vai entrar! Esse é o espírito. Boa sorte! Com empenho certamente você passa.


A escolha do curso superior

Uma parte importante da formação do paleontólogo é a escolha do curso superior certo. Para não errar nessa escolha, faça a si mesmo essa pergunta: Dentro da paleontologia, que tipo de trabalho você gostaria de fazer?

Essa profissão tem muitas possibilidades de trabalho. Veja aí uma lista das principais atividades. Escolha qual dessas atividades você mais gostaria de desempenhar.

Pedi para você escolher uma dessas atividades para poder te indicar o melhor caminho a seguir Qual dessas áreas te atrai mais? Elas pedem formações diferentes.

Se você escolheu um dos itens entre 1 a 5, indico para você o curso de GEOLOGIA.

Se foi o item 6, indico GEOLOGIA, BACHAREL EM BIOLOGIA ou até mesmo MUSEOLOGIA. Qualquer um destes três te preparam para este trabalho.

Se foi o item 7, tanto GEOLOGIA como BACHAREL EM BIOLOGIA são bons cursos para você.

Se você escolheu o item 8, indico o curso de BACHAREL EM BIOLOGIA.

Se você se formar em Geologia, ganhará uma visão detalhada do Tempo Geológico e dos fósseis que são encontrados em cada período geológico. Vai aprender a ler todas as evidências que os fósseis e as rochas registram. A leitura dessas evidências vai dar a interpretação de como era o ambiente em que viviam. Aprenderá a reconstruir ambientes antigos pela descrição de rochas (onde os fósseis ocorrem) e terá condições de rastrear mudanças ambientais que aconteceram desde a formação do Planeta Terra até hoje, usando tanto os fósseis quanto as próprias rochas. Até a procura por fósseis é mais eficiente quando se conhece cada tipo de rocha e como os fósseis costumam se preservar nelas. Lembre-se que a escavação é o mais difícil, é cansativo pacas! É fundamental, para que se encontre e colete bem um fóssil, que você seja bom na descrição de rochas. Você aprenderá como as rochas se formam, quais contêm fósseis e como fazer um bom trabalho de detetive de campo. Um paleontólogo formado em geologia tem maior facilidade com esses temas.

Se você for bacharel em Biologia, sua vocação maior será a de distinguir entre as diferentes espécies de seres vivos que se fossilizam, sua fisiologia e anatomia, porque este curso te ensina a reconhecer os principais seres vivos e a descrever e reconhecer suas características em grande detalhe. Também tem o foco na interação entre os seres vivos (ecologia). Caso sua opção seja Biologia, a tendência é que seu foco fique mais restrito ao estudo do corpo do ser e do seu funcionamento interno. Então, resumindo: se quer trabalhar com anatomia dos fósseis ou com filogenia (que é montar a árvore evolutiva dos seres), Biologia é o que recomendo para você. Para qualquer outro assunto eu recomendo Geologia.

É claro que ao trabalhar na paleontologia você terá que saber um pouco de tudo, na prática o paleontólogo tem que ser ao mesmo tempo geólogo e biólogo. Se você optar por Geologia, saiba que terá que aprender Biologia por conta própria. E vice-versa. Outro detalhe importante é que o bom paleontólogo é eficiente em mais de uma função (daqueles sete itens colocados lá em cima). Assim ele pode, por exemplo, participar da coleta do fóssil em campo, da preparação em laboratório e, depois do estudo de sua idade. Pense nisso e avalie o que você precisa aprender para realizar todas as funções.

Há algumas áreas incomuns que também podem ser uma opção, como Medicina, Medicina Veterinária (ótimo para quem quer estudar fósseis de mamíferos, ou paleopatologia) ou Química (para quem se interessa pela análise química de fósseis), Ecologia, Ciências Naturais, Geografia, entre outras. Mas cuidado, porque o mercado de trabalho raramente contrata paleontólogos com essas formações, pois os concursos para universidades geralmente só aceitam geólogos e biólogos. No mercado privado não há essa exigência, mas é possível que isso mude em breve, porque um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional (PL nº 791/2019), para a regulamentação da profissão de paleontólogo, pretende colocar a formação em Geologia ou Biologia como condição para o trabalho de paleontólogo na esfera de serviço privado. Então se você se formar em um curso diferente, corre sério risco de não conseguir atuar como paleontólogo depois de formado. Avalie se vale a pena correr esse risco.

Eu também não deixaria de olhar os dados de valor de salário da formação que você escolher. Por exemplo, em 2022 o salário de um geólogo recém-formado era de R$ 5.982,00, o do biólogo era R$ 3.130,57. Verifique esses valores para outras opções de curso de graduação. Faça uma pesquisa, também, a respeito da demanda que o mercado de trabalho tem para os diferentes profissionais. Isso pode ser muito relevante nos seus planos para o futuro.

Uma vez que você já escolheu o curso superior, o passo seguinte é se dedicar em uma boa graduação e pós-graduação que farão de você um bom profissional de paleontologia. Alguns pensam que se formar em Paleontologia é muito difícil... Mas não é mais difícil que qualquer outro curso superior.

A formação de paleontólogo tem as seguintes etapas:

1 – Graduação (quatro a cinco anos)

2 – Pós-graduação

2.1 – Mestrado (dois anos)

2.2 – Doutorado (quatro anos)

2.3 – Pós-doutorado (um ano)

Cumprindo as etapas 1 e 2.1 (graduação e mestrado), você já é considerado um paleontólogo habilitado. Mas muitos seguem adiante nos estudos e avançam ao doutorado e, mais raramente, ao pós-doutorado.


Durante o curso Superior

Bem, a esta altura, o foco dos estudos ainda é amplo. Se você faz Geologia, aprenderá a reconhecer minerais, rochas, como elas se transformam, e muitas técnicas aplicadas por geólogos para a resolução de problemas práticos da área. Mas durante este período de aprendizado de Geologia, recomendo que já se dedique a alguma pesquisa em Paleontologia. Os institutos de Geociências das universidades brasileiras têm, por tradição, laboratórios de Paleontologia que aceitam estagiários de graduação. Uma boa dica é procurar por algumas matérias no curso de Biologia, para sanar algumas deficiências que naturalmente terá para trabalhar na Paleontologia como geólogo. Sugiro matérias de evolução, filogenia, botânica e taxonomia de invertebrados e vertebrados.

Se você faz Biologia, aprenderá a descrever os seres vivos, como eles interagem entre si, suas minúcias e fisiologia, entre outras matérias. Como a maior parte dos laboratórios de Paleontologia se encontra em cursos de Geologia, provavelmente você precisará procurar por eles neste instituto. Caso a sua universidade não tenha o curso de Geologia e seu instituto de Biologia não tenha um laboratório de Paleontologia, não hesite em procurar uma opção em outra universidade próxima. Assim como recomendei disciplinas de Biologia para os estudantes de Geologia, faço a sugestão de que os de Biologia procurem por matérias de Geologia que sanem suas deficiências naturais nas matérias da Terra. Os alunos externos à Geologia com quem trabalhei geralmente tinham enormes dificuldades para descrever rochas sedimentares, reconhecer ambientes antigos pela análise das rochas, compreender a dimensão do Tempo Geológico (milhões e bilhões de anos) e perceber as sutilezas e implicações dos processos de preservação e as informações que eles podem nos dar. Por isso recomendo que os alunos de Biologia façam matérias de sedimentologia, estratigrafia, tectônica, geologia histórica e tafonomia.

A universidade de Brasília é uma das instituições que possuem laboratórios de Paleontologia e oferecem estágios para alunos de graduação (foto: Fernando Maia Jr).

Além destas matérias que devem ser cursadas em outros institutos, recomendo com veemência a participação em cursos no período de férias, em universidades e museus. Geralmente as universidades coordenam cursos com uma semana de duração para ensinar a descrição de grupos específicos de fósseis ou técnicas de preparação (retirada dos fósseis da rocha). Não tenha receio de viajar para fazer esses cursos, pois atender a eles em outras universidades é uma ótima oportunidade de conhecer diferentes profissionais da área e enriquecer o conhecimento. Em congressos e simpósios de Paleontologia e Geologia estes cursos são sempre muito bons e proveitosos.

Quanto mais tempo você se dedicar aos estágios e cursos na área, melhor preparado estará para trabalhar como paleontólogo. E, de quebra, eles enriquecem o currículo e melhoram sua disputa pelas vagas de pós-graduação.

O ideal é que você trabalhe com estágios em paleontologia durante todo o curso de graduação. Assim você já entra na pós-graduação quase como paleontólogo, pois a experiência de vários anos de estágio em laboratório é a melhor escola. Isso melhorará seu desempenho na próxima fase.

Esse estágio pode ocorrer na forma de Programas de Iniciação Científica (PIC, ou PIBIC em algumas universidades). Os PICs são importantíssimos para a formação de um paleontólogo. Eles são a execução de uma pesquisa com duração de um ano, em que o estagiário analisa fósseis e chega a um resultado científico. O resultado dessa pesquisa é geralmente apresentado na forma de um relatório e um painel que deve ser apresentado pelo aluno. E, para melhorar, em muitos casos eles são remunerados. Esse é o primeiro momento em que você poderá se sentir um paleontologista de verdade, coletando, analisando e publicando um resultado científico da mesma forma que um pesquisador profissional faz. Se você pretende seguir para o mestrado, faça um PIC!

A execução do PIC é ainda mais inteligente e proveitosa se você escolher o tema de acordo com suas ambições de mestrado e, também, o mercado de trabalho. Se você entrar na pós-graduação com alguma experiência no tema, pela execução do PIC, sua pesquisa será bem mais fácil. E não se esqueça que tanto o PIC quanto a pós-graduação vão te preparar para ser um profissional, então é bom que tudo seja no mesmo tema, apesar de não ser obrigatório. É claro que para isso você tem se conhecer e ter segurança de qual área da Paleontologia te interessa e vai te satisfazer como profissional. Não é menos importante avaliar, na hora de escolher esse tema, as possibilidades de encontrar emprego depois de formado. A escolha de um tema que te ofereça maiores possibilidades de trabalho é inteligente e com certeza deve ser levada em consideração.

Então, desempenhando ao longo da graduação essas atividades que descrevi acima, você descobrirá que a Paleontologia é muito mais que dinossauros. É, sempre começa com dinossauros, mas há muitos outros fósseis legais. Na verdade, os dinossauros são uma pequena parte de uma ciência muito mais vasta e interessante. Isso provavelmente mudará suas ambições na área, pois ocorrerá a descoberta de muitos temas atraentes na Paleontologia. O que acha de estudar peixes fósseis? De crocodilos? De fezes? De plantas? De pegadas? Conhece microfósseis? Os microfósseis são os fósseis que mais trazem informações científicas do passado.

Outra boa dica é se esforçar para publicar o resultado de suas pesquisas do PIC em artigos completos em revistas científicas. Eu saí da graduação com dois artigos publicados e eles não só foram importantes para que eu pudesse aprender de forma precoce como redigi-los, mas também porque são ótimo diferencial no currículo quando se disputa uma vaga na pós-graduação.


O mestrado - quando você realmente se torna um paleontólogo

Seguindo o fluxo de formação, o mestrado é a próxima etapa após a graduação. Caso opte pelo mestrado, saiba que ele é uma pesquisa científica em paleontologia que você tem dois anos para concluir. Você escavará um conjunto de fósseis (ou os receberá de um museu) e os estudará para chegar a algum resultado, como a identificação das espécies, do ambiente, da idade, etc. A maior parte dos mestrados é feita com remuneração para o aluno, a chamada “bolsa”.

Aos poucos está ficando comum a execução do doutorado logo após a graduação, e isso pode ser uma opção interessante. Se você pular a etapa do mestrado, e após a graduação já partir direto para o doutorado, a vantagem é economizar dois anos de estudo, mas a desvantagem é que, em concursos públicos para professor universitário (carreira comum para os paleontólogos brasileiros), ter um mestrado aumenta a sua pontuação. Por outro lado, ter o título de mestre já te classifica oficialmente como um paleontólogo, então para trabalhar na área ele já seria o suficiente.

Para fazer o mestrado, você precisará escolher o tipo de fóssil no qual pretende se especializar. Esse é o momento da decisão. Uma vez que optar por estudar fósseis de plantas, protistas, mamíferos, corais... você carregará o título de profissional nesse tipo de fóssil para o resto da vida. Mas isso não quer dizer que você estará amarrado e um grupo por toda a carreira. Você pode escolher outro grupo na fase seguinte, o doutorado, mas o ideal é que sempre trabalhe com o mesmo tipo de fóssil (na graduação e pós-graduação!), para que adquira o máximo de experiência naquele tema. Eu, por exemplo, comecei meus estudos com ostracodes na graduação e continuei com o mesmo grupo no mestrado. Isso me deu a vantagem de que já era craque na descrição deles ao entrar no mestrado, e isso facilitou muito a minha pesquisa durante os dois anos do mestrado.

Assim como mencionei sobre a escolha do tema do PIC, durante a graduação, a escolha do tipo de fóssil ou tema a ser estudado é mais inteligente se você observar como está o mercado de trabalho. Esse detalhe é relevante, então leve em consideração as oportunidades profissionais que o tema te dará.

E como faço esse mestrado? Onde? Em muitas universidades. Eu fiz o meu na Universidade de Brasília. A maior parte deles é oferecida por programas de pós-graduação em Institutos de Geologia. Veja aqui na página da Sociedade Brasileira de Paleontologia uma lista de instituições que oferecem especialização em Paleontologia, essa lista não é completa, mas pode te ajudar. 

Outra dica que dou é a escolha do instituto, apesar de geralmente não termos muitas opções. Se você fez Biologia, por exemplo, sugiro fazer mestrado no instituto de Geologia, e vice-versa (apesar  que pós-graduação em Paleontologia nos institutos de Biologia é rara). A convivência com profissionais da área oposta é enriquecedora e ajuda no entendimento de uma Paleontologia mais global. Mas isso pode ser um problema caso você escolha, no futuro trabalhar como professor de universidade pública, pois muitos concursos só aceitam paleontólogos geólogos com pós-graduação em Geologia ou paleontólogos biólogos com pós-graduação na Biologia. Ter graduação em uma área e pós-graduação em outra pode ser um problema nesse caso, pense bem a respeito.

Voltando ao tema do mestrado, a própria universidade possui recursos para o trabalho científico. Um professor recebe a tarefa de te orientar, de acompanhar sua pesquisa para garantir que ela chegará ao resultado esperado. Ele recebe uma verba pequena para a escavação e análise dos fósseis. Até você pode receber um salário modesto, dependendo de como se vincular ao laboratório. E durante o meu mestrado eu aproveitei para trabalhar como assistente de curadoria de um museu, onde aprendi a fazer exposições e a cuidar do acervo de fósseis, como num museu grande.

O mestrado te transforma num profissional habilitado para desempenhar a profissão. Na imagem, paleontólogos da NASOR trabalhando em escavação de fósseis de mamíferos, no Mato Grosso.

Ao final do mestrado, você deverá entregar uma dissertação redigida, um texto com toda a análise dos fósseis, e será avaliado por uma banca de professores especialistas no assunto. A conclusão do mestrado com tema em Paleontologia faz de você um paleontólogo profissional, licenciado para trabalhar na área. E quanto mais artigos de qualidade você publicou em revistas científicas neste período, existe uma tendência que você seja mais respeitado entre os paleontólogos das universidades (mas não necessariamente no mercado privado). 


O doutorado

Após o mestrado, é comum no Brasil que se faça o doutorado. Ele é um projeto de pesquisa muito semelhante ao mestrado, mas tem duração longa (quatro anos) devido ao maior aprofundamento da pesquisa. E algumas pessoas recomendam que se faça o doutorado diretamente após a graduação, o que não é uma má ideia. A ideia do doutorado é capacitar o paleontólogo na independência científica e fazer dele um profissional habilitado a criar métodos inovadores de estudo. No fundo, muitos dos doutores em Paleontologia buscaram este título para estar aptos a disputar vagas de professor universitário, uma das saídas mais comuns para se trabalhar com Paleontologia no Brasil.

Trabalho de paleontólogo em pesquisa universitária (foto The University of Michigan).

De forma análoga ao mestrado, o doutorado conclui-se com a apresentação de uma tese redigida e a avaliação de uma banca de professores especialistas no assunto. Após a obtenção do título de doutor, o paleontólogo passa a assinar suas pesquisas com este que é o título máximo da profissão.


O pós-doutorado

Esta fase é incomum. Tão incomum que brinca-se nas universidades que “o doutor desempregado faz o pós-doutorado para poder se sustentar com mais um ano de bolsa”. Brincadeiras à parte, o pós-doutorado é uma pesquisa menor (com um ano de duração) na busca de um resultado em Paleontologia. Aqueles que concluem esta última fase passam a assinar com o título de pós-doutor.


Caso ainda tenha dúvidas a respeito da formação do paleontólogo, fique a vontade para entrar em contato com o nosso coordenador técnico, pelo seu perfil do Instagram, do Facebook ou do LinkedIn. Ele ficará feliz em esclarecer e colaborar para a sua formação.

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